quinta-feira, 20 de maio de 2010

2ª parte

Eu estava em um lugar amplo e familiar, caminhava com facilidade, conhecia o caminho. Não via ninguém, somente eu mesma. Mas continuava andando, sorrindo e de cabeça erguida. Até que sentei, e lá permaneci, aparentemente feliz.
O despertador tocou e eu levantei para desligar aquela coisa irritante. Sentei na cama e me lembrei do sonho. Como eu teria sonhado… com a ausência dele? Porque eu estava tão feliz? Ele não estava ali. Que lugar era aquele? E por que eu estava sozinha? Deitei-me novamente, sabendo que minha mãe viria me acordar dali uns minutos, e com o objetivo de dar continuidade ao sonho para poder entendê-lo. Tentei várias vezes, mas mal consegui adormecer. E então minha mãe veio me acordar.

- Ei, bom dia. Acorda…


Me mexi na cama como se estivesse dormindo em um sono profundo. Com a tola esperança de que ela desistisse de me acordar e me deixasse dormir.

- Acordou? – disse ela em um tom mais alto, mexendo em meu braço.

- Acordei! – respondi revoltada como de costume.


Sentei na cama e novamente fiquei tentando decifrar o sonho. Eu conhecia aquele lugar, muito bem. Mas não conseguia lembrar dele claramente. Desisti e fui me arrumar para o colégio, para qual eu já estava atrasada. Porém, fui andando normalmente ouvindo uma música que me fazia lembrá-lo. Assim, pensando em meu assunto favorito, por um momento parei de pensar no sonho. Andando muito distraída, me assustei quando senti alguém puxando a minha mochila. Me virei assustada, e não acreditei. Era Bruno, … meu amigo, acho que posso dizer assim. Um amigo que não falava fazia mais ou menos um ano.

- Meu Deus, que susto! – disse eu ainda me recuperando do susto. Ele riu. Como era bom ouvir aquela risada descontraída, já havia me esquecido dela.

- Desculpe, mas eu tentei te chamar algumas vezes, mas … você não ouviu né – disse apontando para os meus fones – E eu não poderia desperdiçar a chance de falar com você. Já que nunca mais te vi. Você faz falta menina! – brincou com um lindo sorriso contagiante que eu adorava.

- É… eu também sinto falta de você, e do pessoal todo. Mas… nós deveríamos tentar marcar alguma coisa.

- Concerteza! – respondeu imediatamente. Ele parecia realmente muito feliz em me ver. E também não posso negar que adorava vê-lo. – Você está indo para o colégio?

- Ah! – lembrei que estava muito atrasada – Sim , estou. E bem atrasada para ser sincera.

- Então corre lá! – brincou novamente, e nós rimos. – Vou parar de te atrapalhar. E … foi ótimo te ver. Está ótima. – Falou com um sorriso envergonhado charmoso em seu rosto.

- Obrigada, também adorei te ver. Agora tenho que ir. – ele beijou a minha bochecha de forma um pouco demorada, e eu retribui sem jeito com um ligeiro beijo na bochecha e um abraço. – Tchau!

Saí correndo para a escola. E como eu imaginara, cheguei atrasada e fiquei na biblioteca esperando começar o próximo tempo de aula. Pensei no Bruno. Ele era um grande amigo, talvez até o melhor amigo. Eu fui apaixonada por ele, há um ano e dois meses. Ele me via apenas como uma amiga. Especial, mas apenas uma amiga. Mesmo sabendo disso, arrisquei e declarai-me. No dia seguinte, nós ficamos e eu tive então um momento mágico. Porém, a magia terminou em questão de horas. Após esse dia, ele se afastou de mim, nem olhava mais na minha cara. Fiquei péssima, pois além de não tê-lo como achei que teria, havia perdido o meu melhor amigo. O tempo passou, todos comentavam, e foi quando eu soube que sairia do colégio. Ao saber da notícia, – apesar de eu não ter comentado diretamente com ele – foi quando ele resolveu correr atrás da nossa amizade. Mas estávamos tão distante, que seria uma questão de tempo para nos reaproximarmos. Porém o tempo que tivemos foi muito curto, então ficamos nessa situação indefinida e até um pouco constrangedora.

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